Universidade promove torneio de caça ao peixe-leão em três cidades do RN para conter espécie invasora
10/07/2026
(Foto: Reprodução) Peixe-leão está presente na costa nordestina
coconut-etiennus / iNaturalist
A Universidade Federal Rural do Semiárido (Ufersa) vai promover, ao longo dos próximos meses, um torneio de captura de peixe-leão nos municípios potiguares de Rio do Fogo, Porto do Mangue e Areia Branca.
De acordo com pesquisadores, o torneio é uma estratégia para ajudar no controle da espécie invasora, considerada uma das principais ameaças à biodiversidade marinha da costa brasileira. A competição terá premiação de R$ 3,5 mil em cada cidade (veja cronograma abaixo).
O g1 procurou o Ibama para saber se existe alguma restrição ambiental em relação ao torneio, mas não teve resposta até a última atualização desta matéria.
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Para participar da competição, os pescadores deverão passar, obrigatoriamente, por uma capacitação. Eles receberão orientações sobre o manejo seguro do peixe-leão, informações sobre os impactos da espécie e um kit de captura composto por arpão e um coletor de PVC.
As capacitações acontecerão inicialmente no próximo dia 25 em Areia Branca. Depois, no dia seguinte, será a vez de Porto do Mangue. Por último, o treinamento acontecerá em Rio do Fogo, no dia 10 de agosto. A previsão é que a pesca ocorra por vários meses.
A iniciativa faz parte do projeto "Guardiões do Mar: Ciência Cidadã, Educação Ambiental e Manejo Participativo para o Controle do Peixe-Leão (Pterois volitans) na Costa do Rio Grande do Norte", coordenado pela professora Emanuelle Fontenele Rabelo, do Departamento de Biociências da Ufersa.
"O objetivo é que os pescadores sejam protagonistas desse processo. Só eles conseguem retirar o peixe-leão do ambiente marinho e, ao mesmo tempo, atuar como cientistas cidadãos", afirmou Emanuelle.
Todo o material capturado será utilizado em estudos no laboratório da Ufersa para pesquisas de graduação, mestrado e doutorado.
O torneio
Cada etapa terá premiação de R$ 3,5 mil, distribuída da seguinte forma:
1º lugar: R$ 2 mil;
2º lugar: R$ 1 mil;
3º lugar: R$ 500;
Brindes para participantes.
Vence a embarcação que capturar o maior número de peixes-leão durante a competição.
A programação começa em Areia Branca, com capacitação para pescadores de Ponta do Mel e São Cristóvão, marcada para 25 de julho, na Colônia Z-33.
Em seguida, o treinamento será realizado em Porto do Mangue, no dia 26 de julho, na Colônia Z-17.
A terceira etapa acontece em Rio do Fogo, onde a capacitação está prevista para 10 de agosto, na Colônia Z-3
Entenda por que o peixe-leão é considerado uma ameaça
O peixe-leão é uma espécie exótica invasora originária do Oceano Pacífico que chegou ao litoral brasileiro por volta de 2020 e foi registrada no Rio Grande do Norte em 2022. Sem predadores naturais na costa brasileira e com alta capacidade de reprodução, ele é considerado uma ameaça ao equilíbrio dos ecossistemas.
Segundo a professora Emanuelle Fontenele Rabelo, ainda não há certeza sobre como o animal chegou ao Atlântico. As principais hipóteses são a soltura de exemplares criados em aquários ou a fuga de peixes após furacões destruírem aquários em estabelecimentos.
Ela explica que o peixe-leão é um predador generalista, que alimenta-se praticamente de qualquer animal que caiba em sua boca, incluindo peixes, camarões, lagostas e outras espécies de interesse comercial.
Outro fator de preocupação são os 18 espinhos peçonhentos do animal, que podem provocar acidentes com pescadores, mergulhadores e banhistas.
"Se alguém tiver algum acidente com esses venenos, tem uma dor fortíssima, inflama a região, pode ter taquicardia, convulsão. É um animal que pode causar acidentes em mergulhadores, pescadores, turistas e precisa ser combatido", conta.
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