PM é condenado a 12 anos de prisão por morte de personal trainer após briga de trânsito em Natal
04/05/2026
(Foto: Reprodução) Ronaldo Cabral foi considerado culpado pela morte do personal trainer
Cedida
O policial militar Ronaldo Cabral Torres foi condenado a 12 anos e seis meses de prisão pelo assassinato do personal trainer Paulo Henrique Araújo da Silva, de 33 anos. A pena deve ser cumprida, inicialmente, em regime fechado.
A decisão do Tribunal de Júri presidida pela juíza Eliana Marinho, titular da 1ª Vara Criminal de Natal, foi comunicada às 16h20 desta segunda-feira (4), no Fórum Miguel Seabra Fagundes, em Natal.
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Paulo Henrique Araújo da Silva, de 33 anos, foi morto no dia 29 de abril de 2022, no bairro Nordeste, na Zona Oeste de Natal.
Começa júri do caso Paulo Henrique em Natal
Segundo a denúncia, Paulo trafegava de motocicleta com a namorada pela ponte de Igapó quando se envolveu em uma discussão após uma colisão com um carro onde estava o PM Ronaldo Cabral Torres, acompanhado da mulher e do filho.
A briga de trânsito se estendeu até o bairro Nordeste, onde Paulo Henrique foi baleado e morreu, reforçou a denúncia.
A esposa do réu, que também é policial militar, chegou a ser acusada pelo Ministério Público por supostamente dar cobertura à ação do marido, porém o juiz considerou que não havia indícios suficientes para que ela fosse a julgamento.
A vítima deixou três filhos, que atualmente têm 17, 8 e 6 anos.
Paulo Henrique Araújo da Silva foi morto em uma briga de trânsito
Reprodução
Manifestação do lado de fora
Do lado de fora do fórum, policiais, familiares e amigos do réu realizaram uma manifestação pedindo a absolvição. Eles usavam faixas, cartazes e camisetas com mensagens de apoio.
A defesa sustenta que o sargento agiu em legítima defesa, alegando comportamento agressivo por parte da vítima.
"Passou, quebrou o retrovisor do carro. A moto estava sem placa. Ronaldo pediu para a esposa anotar a placa. Como não tinha placa, ele foi atrás dele para pagar o retrovisor. E foi atrás com essa finalidade, para que ele ressarcisse o dano causado. Quando entraram no bairro Nordeste, o indivíduo caiu, veio pra cima com a mão na cintura e Ronaldo desceu e efetuou um disparo de advertência", disse o advogado de defesa Rodrigues Barreto.
"Ronaldo disse que ele tinha um volume na cintura. E ele disse: 'tire a mão da cintura, bote na cabeça, eu só quero o ressarcimento dos meus danos'. Ele baixou as mãos e correu para cima. Ronaldo efetuou o segundo disparo, o que culminou com o resutado da morte", completou.
A mãe de Paulo Henrique afirmou que convive com o sofrimento desde a morte do filho e que faz tratamento psicológico desde então.
"Meu filho era jovem de 33 anos, filho único, pai de 3 filhos, um homem trabalhador, sonhador. O sonho dele era uma academia, porque desde muito jovem esse era o trabalho dele. Serviu a Aeronáutica. Foi sempre uma pessoa do bem", falou Terezinha Pinheiro Araújo.
Como foi o julgamento
O Júri popular teve início por volta das 9h desta segunda-feira (4) no Salão do Júri do Fórum Miguel Seabra Fagundes, em Natal.
A sessão foi aberta com a escolha do Conselho de Sentença, formado por sete jurados. Ainda no período da manhã as cinco testemunhas e o réu foram ouvidos.
Por volta das 12h10 houve o intervalo para o almoço. A sessão foi retomada cerca de 1h após o intervalo.
A tarde foi dedicada aos debates entre a acusação e a defesa do réu. Após a manifestação inicial do Ministério Público, a defesa iniciou sua exposição. Encerrada a fase de debates, ocorreu a deliberação dos jurados.
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