Candidato ao Governo do RN, Cadu de Lula promete reduzir fila de cirurgias e aumentar investimento em saúde; veja entrevista
15/09/2026
(Foto: Reprodução) Cadu de Lula concedeu entrevista ao Inter 1
Stephany Souza/Inter TV Cabugi
Cadu de Lula (PT), candidato ao Governo do Rio Grande do Norte, afirmou nesta terça-feira (15), em entrevista ao Inter 1, da Inter TV Cabugi, que pretende ampliar os investimentos em saúde e reduzir a fila de cirurgias eletivas no estado.
Ele prometeu aumentar o efetivo da Polícia Militar, expandir as escolas de tempo integral e manter o pagamento dos servidores públicos em dia. Entre as propostas apresentadas estão a elevação dos gastos estaduais com saúde para até 16% da receita, a criação de centros regionais de diagnóstico e um programa para zerar a fila de cirurgias.
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"A gente tem hoje, o governo do Estado comprometendo 12% das suas receitas em saúde. É o mínimo constitucional. Nós temos um compromisso de elevar isso para 15% a 16%".
O Inter 1 iniciou na segunda-feira (14) uma série de entrevistas ao vivo com os candidatos ao Governo do Rio Grande do Norte. Cada candidato tem 30 minutos para apresentar propostas e responder a perguntas sobre os principais temas do estado. As entrevistas são conduzidas por Emmily Virgílio e Larisse Neves, correspondente da Inter TV Cabugi em Brasília.
As próximas entrevistas são:
Quarta-feira (16): Rodrigo de Bolsonaro (AGIR)
Quinta-feira (17): Allyson Bezerra (União Brasil)
Sexta-feira (18): Professor Robério Paulino (PSOL)
Já foi entrevistado:
Segunda-feira (14): Álvaro Dias (PL)
Saúde e redução da fila de cirurgias
Cadu foi questionado sobre as dificuldades enfrentadas pela saúde pública do Rio Grande do Norte. Ele reconheceu que a área ainda é um desafio e afirmou que a fila para cirurgias eletivas caiu de 60 mil para 20 mil pessoas durante a atual gestão.
Para o candidato, uma das prioridades de um eventual governo será ampliar o acesso a consultas, exames e cirurgias. Entre as propostas está o uso de telemedicina para consultas com especialistas e a criação de centros regionais de diagnóstico.
Segundo Cadu, esses centros seriam instalados em regiões como João Câmara, Mossoró e Pau dos Ferros, além de Caicó.
"Nós temos uma proposta no nosso plano de governo que é saúde no tempo certo, que vai fazer com que as pessoas tenham acesso primeiro a consultas de especialistas utilizando telemedicina, ou seja o senhor, a senhora, que está assistindo vai fazer sua consulta de casa utilizando a telemedicina", disse.
O candidato também citou o programa "cirurgia zero" como uma das propostas para reduzir a demanda reprimida.
Contas públicas e gasto com pessoal
Sobre a situação financeira e o comprometimento da receita com o pagamento de servidores, Cadu afirmou que o estado chegou a ter 64% de comprometimento com despesas de pessoal em 2019 e que o índice teria caído para 53% em julho de 2022, antes de voltar a subir.
Segundo ele, o percentual atualmente está em torno de 56% e deve terminar o ano em aproximadamente 55%.
O candidato afirmou que pretende manter uma trajetória de redução do comprometimento da folha sem prejudicar os servidores e relacionou o equilíbrio das contas ao crescimento da arrecadação e da economia.
"A gente vai fazer isso sem vilanizar o servidor. A gente não vai governar para trazer prejuízo para o professor, para o médico, para o policial que está nas ruas cuidando da segurança".
Cadu também defendeu a política salarial criada durante a atual gestão, que condiciona a recomposição salarial dos servidores ao crescimento da receita corrente líquida.
Salários dos servidores e 13º
O candidato também foi questionado sobre o receio de servidores públicos em relação a atrasos e mudanças na data de pagamento dos salários.
Cadu afirmou que viveu um período de quatro meses de salários atrasados, durane a gestão anterior, e disse que não houve parcelamento dos pagamentos durante o período em que participou da gestão estadual.
Ele prometeu retomar o pagamento dos salários no dia 30, mas reconheceu que o pagamento integral do 13º salário no primeiro ano de um eventual governo não seria possível. "Eu vivi uns quatro meses de salário atrasado. Eu sei o que isso representa na vida de um trabalhador e no nosso governo isso não aconteceu".
Segundo Cadu, a partir do segundo ano de uma eventual gestão seria retomado o pagamento de parte do 13º em junho, com o restante até 30 de dezembro.
Questionado também sobre atrasos a fornecedores, o candidato afirmou que pretende melhorar a situação e disse que o equilíbrio das contas públicas será uma das prioridades de seu governo.
Cadu de Lula (PT) é candidato ao Governo do RN
Stephany Souza/Inter TV Cabugi
ICMS, incentivos fiscais e geração de empregos
Ex-secretário de Fazenda e Tributação do governo Fátima Bezerra, Cadu foi questionado sobre a imagem associada ao aumento do ICMS e sobre como pretende aumentar a arrecadação sem elevar impostos.
Ele afirmou que sua atuação à frente da área também envolveu a criação de incentivos fiscais para setores produtivos do estado. Citou como exemplos a indústria salineira, a pesca, a indústria e o comércio.
"Eu nunca propus para a governadora aumento de imposto. Pelo contrário, nós fizemos esse programa de incentivos que deu competitividade ao nosso estado".
Cadu afirmou ainda que o Programa de Estímulo ao Desenvolvimento Industrial (Proedi) teria contribuído para a criação de empregos. "Nós criamos mais de 70 mil empregos com o Proedi e é isso que a gente vai fazer. A gente vai dar mais condições a quem quer gerar emprego no nosso estado, ficar aqui e gerar emprego para o nosso povo".
Educação e promessa de melhorar o Ideb
Cadu foi questionado também sobre os resultados do Rio Grande do Norte no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) e sobre as críticas à educação durante o governo Fátima Bezerra.
O candidato disse que o estado subiu seis posições no ranking mais recente e chegou à 21ª colocação. Cadu estabeleceu como meta terminar um eventual governo, em 2030, entre os dez melhores resultados do Ideb no país.
"Eu quero fazer um compromisso aqui com o povo do nosso estado. Nós vamos terminar nosso governo em 2030 com o Rio Grande do Norte entre os dez melhores 'idebs' do país".
Entre as propostas para a área estão a expansão da educação em tempo integral, a complementação do programa Pé-de-Meia e a criação de auxílios para fardamento e material escolar.
Complementação do Pé-de-Meia
Cadu afirmou que pretende complementar em R$ 50 o valor recebido pelos estudantes do ensino médio por meio do programa federal Pé-de-Meia. Ele estimou que o custo para a medida seria de R$ 72 milhões.
O candidato disse que a permanência dos jovens na escola também pode contribuir para ampliar a autonomia das mulheres, ao permitir que elas tenham mais tempo para trabalhar.
Segurança pública e combate às facções
Cadu reconheceu que os índices de violência registrados em 2025 apresentaram piora em relação ao ano anterior, mas afirmou que os números ainda são melhores que os registrados em 2018.
Entre as propostas, ele citou o aumento do efetivo da Polícia Militar, a instalação de sistemas de videomonitoramento nos 167 municípios e o fortalecimento das patrulhas Rural e Maria da Penha.
Segundo o candidato, também houve ampliação do número de Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher (Deam).
"Nós temos um projeto de tecnologia de videomonitoramento nos 167 municípios para a gente prever esses crimes e elucidar também crimes. Com o monitoramento você vai ter condições de chegar mais facilmente a quem cometeu o delito".
Previdência e equilíbrio fiscal
Ao ser questionado sobre como pretende aumentar o efetivo das forças de segurança sem comprometer o equilíbrio fiscal, Cadu citou a necessidade de reequilibrar as contas da Previdência estadual.
Ele afirmou que uma proposta de reequilíbrio prevê aumento da contribuição patronal dos Poderes, sem aumento da alíquota paga pelos servidores. Segundo Cadu, a medida pode reduzir o peso do déficit previdenciário sobre as contas estaduais e abrir espaço para novos investimentos.
"Cadu de Lula" e "Cadu de Fátima"
Cadu foi questionado sobre a estratégia de utilizar o nome "Cadu de Lula" na campanha e, ao mesmo tempo, carregar a associação com o governo Fátima Bezerra, do qual fez parte durante sete anos. Ele afirmou ter orgulho de ter sido secretário da governadora e defendeu a trajetória política dela.
"Eu tenho muito orgulho de, antes de ser Cadu de Lula, eu ser Cadu de Fátima. Primeiro pela trajetória de 40 anos que Fátima tem na vida pública e as mãos limpas que ela tem".
O candidato também afirmou que pretende manter uma administração baseada na honestidade e disse que não foi investigado por desvio de recursos durante o período em que atuou na gestão estadual.
BR-304, transposição e obras federais
Ao responder sobre a avaliação negativa do governo estadual, Cadu afirmou que existe uma diferença entre o tempo da expectativa da população e o tempo necessário para executar grandes obras.
Ele citou a duplicação da BR-304 e a chegada das águas da transposição do Rio São Francisco como exemplos de investimentos que, segundo ele, estão se concretizando. "A obra da transposição está pronta. A BR-304 já tem 11 quilômetros pavimentados e são realizações de sonhos que só são possíveis através do presidente Lula e da governadora Fátima".
Larissa Rosado como vice
Cadu destacou a importância de ter uma mulher na composição e citou a experiência política de Larissa Rosado na região de Mossoró como um dos motivos para a escolha. O candidato também afirmou que a presença de Larissa amplia a força eleitoral da chapa na região Oeste.
"Tenho muito orgulho de Larissa ser a nossa vice. Fazia muita questão, quem estava acompanhando o processo pré-eleitoral [sabe], que a gente tivesse uma mulher na nossa chapa. Isso para mim é muito importante".
Relação com os Poderes e Previdência
Sobre a possibilidade de os Poderes ajudarem no enfrentamento do déficit previdenciário por meio da utilização de recursos que eventualmente retornam ao Tesouro, ele afirmou que os recursos constitucionais, que não são utilizados pelos Poderes, já retornam ao Tesouro e defendeu uma maior integração entre Executivo, Legislativo, Judiciário e Ministério Público na discussão sobre as contas públicas.
"Trazer os poderes Executivo, Legislativo, Judiciário e o Ministério Público para que eles caibam dentro da economia do nosso Estado. Nós temos compromisso com isso, nós vamos debater com os poderes para trazer cada vez mais os demais poderes para uma realidade que seja a mesma do poder executivo".
Considerações finais
Nas considerações finais, Cadu de Lula reforçou a associação da candidatura com o presidente Lula da Silva (PT) e com a governadora Fátima Bezerra. O candidato também classificou como candidaturas de direita as de Álvaro Dias (PL) e Allyson Bezerra (União Brasil).
Cadu afirmou ainda que pretende levar o estado a uma "era de pleno emprego" e de desenvolvimento, com melhorias nos serviços públicos.
"Vamos juntos do presidente trazer o Rio Grande do Norte cada vez mais para uma era de pleno emprego, de desenvolvimento, de que as pessoas tenham acesso cada vez mais à saúde de qualidade, a educação de qualidade, a segurança pública".